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Leitura: 6 min Atualizado: 05/03/2026 23:30

UAP no Congresso dos EUA: o que dizem Rounds, Cornyn, Kim, Warner, Zinke e Luna sobre FOIA, El Paso e disclosure

Seis entrevistas de parlamentares mostram o impasse real: FOIA, contratadas, sobreclassificação, resposta a drones e coordenação institucional.

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Notícia Análise, Contexto e Interpretação
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O que aconteceu

O debate sobre UAP no Congresso dos Estados Unidos ganhou corpo em fevereiro de 2026 com uma sequência de entrevistas de bastidor envolvendo senadores e deputados de comissões-chave. O eixo da discussão deixou de ser apenas “o que apareceu no céu” e passou a ser “quem controla os dados, quem fiscaliza e o que pode ser divulgado”.

As falas de Mike Rounds, John Cornyn, Andy Kim, Mark Warner, Ryan Zinke e Anna Paulina Luna, reunidas pelo Ask a Pol, mostram um quadro comum: há reconhecimento de lacunas institucionais em FOIA, sobreclassificação, coordenação de resposta anti-drone e prestação de contas ao público.

Mike Rounds: contratadas, FOIA, propriedade intelectual e limites do Estado

Mike Rounds, senador republicano de Dakota do Sul e integrante dos comitês de Forças Armadas e Inteligência, foi questionado sobre por que contratadas militares continuam fora do alcance prático da FOIA mesmo estando profundamente integradas ao Pentágono. A resposta dele coloca a propriedade intelectual no centro do problema.

Sen. Mike Rounds: “Há uma discussão geral sobre o fato de que parte do que eles têm é de natureza proprietária, e nós acabamos comprando os serviços deles.”

Rounds também explicou que o governo compra produtos, mas não necessariamente as patentes e a base tecnológica que originaram esses produtos. Quando pressionado sobre a possibilidade de isso permitir zonas de opacidade, reconheceu que o tema já é antigo no Congresso.

Sen. Mike Rounds: “Mas sem resolução.”

Sobre o UAP Disclosure Act, ele disse que quer conversar com outros parlamentares para buscar uma solução mais permanente de custódia e exibição futura de dados, sem abrir programas sensíveis. Questionado sobre intrusões em bases militares e locais nucleares, Rounds afirmou que o sistema está melhor do que há três anos, mas longe de estar pronto.

John Cornyn: El Paso, FAA e tecnologia de contra-drones

John Cornyn, senador republicano do Texas e membro do Comitê de Inteligência, tratou do caso El Paso após o fechamento inicial do aeroporto e a reabertura poucas horas depois. Para ele, ainda faltam detalhes, mas a leitura geral foi de ação de contra-drones com falha de coordenação informacional com a FAA.

Sen. John Cornyn: “Eu gostaria de ter mais informações, mas, basicamente, parece que houve atividade de contra-drone, e a FAA não sentiu que tinha informação suficiente sobre isso, então eles fecharam tudo.”

Cornyn disse ter visto parte das tecnologias usadas para neutralizar drones e destacou que muito desse aprendizado vem de cenários externos, como Ucrânia. Quando perguntado se os sistemas “derretem” drones ou apenas derrubam capacidade eletrônica, classificou o detalhe como sigiloso.

Andy Kim: experiência de Nova Jersey e crítica à comunicação de crise

Andy Kim, senador democrata de Nova Jersey, conectou El Paso ao histórico de enxames de drones em seu estado, tema sobre o qual autoridades locais alegam falta de respostas consistentes. Ele afirmou que o governo precisa melhorar detecção, diferenciação entre aeronaves e protocolo de resposta.

Sen. Andy Kim: “As pessoas precisam ter respostas para isso.”

Kim criticou o formato de anúncio adotado no caso El Paso, dizendo que medidas comunicadas de forma abrupta e pouco explicada geram pânico e pioram a confiança pública. O ponto dele não foi negar risco, e sim cobrar gestão técnica e comunicação institucional responsável.

Mark Warner: sobreclassificação, lentidão legislativa e vazio de resposta

Mark Warner, senador democrata da Virgínia e vice-presidente do Comitê de Inteligência, confirmou que existe iniciativa legislativa para enfrentar sobreclassificação e reformar o sistema de credenciais de segurança, mas reconheceu que o tema não sobe para o topo da agenda política.

Sen. Mark Warner: “Todo mundo reconhece que classificamos informação demais, mas isso nunca vira prioridade.”

Ao ser perguntado sobre contratadas militares e FOIA, Warner disse que a questão é justa e que precisava aprofundar resposta. Na prática, isso reforça o diagnóstico comum com Rounds: há um vazio regulatório relevante entre o que o Estado contrata, o que permanece privado e o que chega ao escrutínio público.

Ryan Zinke: capacidade laser existe, mas com limites técnicos e políticos

Ryan Zinke, deputado republicano de Montana, ex-secretário do Interior e membro de Forças Armadas na Câmara, afirmou que tecnologia laser anti-drone está em uso e tem eficácia em alvos específicos, mas não resolve todos os perfis de ameaça. Citou experiência observada em Israel e testes da Marinha dos EUA.

Rep. Ryan Zinke: “Então eu acho que a tecnologia a laser existe.”

Zinke separou esse tema da hipótese de origem não terrestre e disse que, em sua experiência de governo, não viu evidência disso. Também retomou críticas ao episódio do balão chinês, alegando inconsistências na resposta e na comunicação federal sobre tempo de detecção, rota e recuperação de material.

Anna Paulina Luna: articulação com ODNI, FBI, Pentágono e Casa Branca

Anna Paulina Luna, deputada republicana da Flórida, presidente da força-tarefa de desclassificação de segredos federais e co-presidente do caucus UAP, afirmou que está em diálogo ativo com os órgãos que conduzem a agenda de disclosure após o anúncio de Donald Trump em 19 de fevereiro de 2026.

Rep. Anna Paulina Luna: “Tenho me comunicado ativamente com as equipes que estão à frente disso, seja ODNI, FBI, Pentágono ou Casa Branca.”

Ela também disse esperar compartilhar avanços, mas, até aqui, o processo ainda depende de cronograma oficial e entrega documental verificável para além de declarações políticas.

Como essas falas se conectam

As seis entrevistas, lidas em conjunto, convergem para o mesmo ponto: o problema central não é apenas identificar eventos no espaço aéreo, mas estruturar um modelo de governança que una defesa, fiscalização legislativa e transparência pública. FOIA, contratadas, classificação de documentos e protocolos anti-drone aparecem como peças do mesmo quebra-cabeça.

Sem resolver esse desenho institucional, casos como El Paso tendem a repetir o padrão visto nos relatos: anúncio confuso, informação incompleta, disputa política e baixa previsibilidade para o público.

Fontes e créditos

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