Burlison cobra do MIT vídeo sigiloso de 1952 descrito como “palestra sobre discos voadores” e diz que laboratório responderá em 30 dias
Eric Burlison afirmou que o MIT Lincoln Laboratory responderá em até 30 dias ao pedido feito por seu gabinete para localizar e preservar um registro de 1952 descrito como “flying saucer talk”, expressão que pode ser traduzida como “palestra sobre discos voadores”. O caso envolve um material identificado como “AF-ATIC-FILM, 03/52”, ligado ao Beacon Hill […]
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Eric Burlison afirmou que o MIT Lincoln Laboratory responderá em até 30 dias ao pedido feito por seu gabinete para localizar e preservar um registro de 1952 descrito como “flying saucer talk”, expressão que pode ser traduzida como “palestra sobre discos voadores”.
O caso envolve um material identificado como “AF-ATIC-FILM, 03/52”, ligado ao Beacon Hill Study, com Edward J. Ruppelt listado como responsável pelo briefing. Ruppelt foi um oficial da Força Aérea dos Estados Unidos ligado às primeiras investigações oficiais americanas sobre discos voadores.
Na publicação feita em 15 de maio de 2026, Burlison escreveu:
“Enviei uma carta ao MIT Lincoln Labs pedindo um vídeo classificado de briefing de 1952 referido como uma ‘palestra sobre discos voadores’. Os advogados deles responderam rápido. Eles vão cumprir em até 30 dias.”
O deputado completou:
“Cartas do Congresso têm peso. Vamos continuar enviando.”
A declaração indica que o pedido não foi tratado como uma solicitação comum. Segundo Burlison, os advogados do laboratório responderam rapidamente e aceitaram cumprir o prazo de 30 dias.
O MIT Lincoln Laboratory é um centro de pesquisa ligado ao Massachusetts Institute of Technology, o MIT. O laboratório tem histórico de atuação em pesquisa financiada pelo governo dos Estados Unidos, especialmente em áreas ligadas à defesa, tecnologia e segurança nacional.
É esse ponto que torna a cobrança mais importante. Burlison não está pedindo um relato moderno, nem um depoimento informal. Ele está cobrando a existência, a preservação e a possível transferência de um registro histórico específico, datado de março de 1952, ligado a um ambiente técnico e militar do início da Guerra Fria.
Na carta enviada em 7 de maio, Burlison afirma que escreve sobre:
“uma gravação em rolo identificada como ‘AF-ATIC-FILM, 03/52’, do Beacon Hill Study, rotulada como ‘flying saucer talk’, com Edward J. Ruppelt listado como o briefer.”
O termo “briefer” se refere à pessoa responsável por conduzir ou apresentar um briefing, ou seja, uma apresentação técnica, militar ou institucional.
Segundo Burlison, pela descrição disponível, o item parece ser:
“um registro histórico potencialmente significativo”
A carta também afirma que o material estaria diretamente relacionado ao tratamento inicial dado pelo governo federal americano a assuntos envolvendo fenômenos aéreos ou anômalos não identificados.
Pedido não se limita ao vídeo de 1952
A carta de Burlison não pede apenas que o MIT Lincoln Laboratory procure o registro “AF-ATIC-FILM, 03/52”.
O deputado amplia a cobrança e solicita que o laboratório, arquivos afiliados, repositórios, escritórios internos ou entidades sucessoras identifiquem e preservem outros materiais relacionados ao Beacon Hill Study, a briefings sobre “discos voadores”, UFOs, UAPs ou trabalhos feitos para o governo dos Estados Unidos sobre objetos aeroespaciais anômalos.
Na carta, Burlison pede que sejam identificados e preservados materiais como:
- gravações de áudio;
- filmes;
- transcrições;
- materiais de briefing;
- memorandos;
- correspondências;
- relatórios técnicos;
- registros de entrada em arquivo;
- inventários;
- metadados;
- orientações de classificação;
- registros de revisão para desclassificação.
Em outro trecho, ele afirma que o pedido inclui:
“registros adicionais relacionados ao Beacon Hill Study”
Também cita materiais sobre:
“briefings sobre ‘flying saucer’ ou fenômenos anômalos não identificados”
Na prática, Burlison quer saber se o possível vídeo ou gravação é apenas um item isolado ou parte de um conjunto maior de registros históricos sobre discos voadores preservados em instituições técnicas fora dos arquivos militares mais conhecidos.
A base legal usada por Burlison
Burlison apoia o pedido na lei de defesa dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2024. Essa legislação criou uma estrutura formal para identificar, revisar, organizar e transferir registros UAP aos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos, a NARA.
A NARA criou o Record Group 615, uma coleção específica para registros sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados. Essa coleção deve receber materiais relacionados a UAPs vindos de órgãos federais, registros fornecidos ao governo ou documentos produzidos com financiamento público.
A sigla UAP significa “Unidentified Anomalous Phenomena”, traduzida oficialmente como Fenômenos Anômalos Não Identificados. O termo passou a ser usado em documentos oficiais americanos no lugar de UFO, ou “objeto voador não identificado”, por ser mais amplo e incluir ocorrências no ar, no mar, no espaço ou em múltiplos ambientes.
A carta de Burlison enquadra o possível registro de 1952 dentro dessa nova obrigação de preservação. Se o material existir e tiver sido produzido, financiado ou mantido em relação com o governo americano, ele pode ser relevante para a coleção UAP da NARA.
Por isso, o deputado pede que, caso o registro seja localizado, o MIT Lincoln Laboratory providencie:
“digitalização em padrão de preservação”
E também a transmissão da cópia digital e dos metadados associados à NARA, para inclusão no Record Group 615.
Burlison pede bloqueio contra destruição ou descarte
Outro ponto importante da carta é o pedido de preservação imediata.
Burlison solicita que o MIT Lincoln Laboratory aplique um “preservation hold”, expressão usada para indicar uma retenção formal de documentos. Isso significa impedir destruição, alteração, descarte ou perda de controle sobre materiais que possam estar relacionados ao pedido.
A medida inclui não só a gravação em si, mas também documentos ligados a ela, como registros de arquivo, logs de áudio, inventários, correspondências, memorandos, arquivos do laboratório, cronogramas de retenção, entregas contratuais, decisões de classificação, encaminhamentos para desclassificação e tentativas anteriores de cópia ou digitalização.
A carta afirma que destruição, alteração ou descarte não controlado de material potencialmente relacionado ao pedido seria incompatível com os objetivos de transparência e preservação previstos na lei federal.
O que Burlison quer saber
Burlison pede que o MIT Lincoln Laboratory responda, de forma objetiva:
- Se a gravação identificada como “AF-ATIC-FILM, 03/52” ainda existe.
- Se o MIT Lincoln Laboratory, ou algum repositório afiliado, possui o registro original, uma duplicata, uma transcrição ou metadados relacionados.
- Se a gravação já foi digitalizada e, caso tenha sido, quando isso ocorreu e em qual formato.
- Se o item já foi encaminhado à NARA para inclusão na Coleção de Registros UAP.
- Se existe alguma restrição ativa de classificação, segurança, contrato, controle de exportação ou acesso.
- Quais medidas concretas o laboratório tomará para coordenar preservação, revisão, transferência e eventual desclassificação com as autoridades federais responsáveis.
O que pode estar por trás da movimentação
A resposta rápida dos advogados do MIT Lincoln Laboratory não prova que o vídeo existe. Também não prova que o material será liberado ao público.
Mas indica que o pedido foi recebido como algo sério o bastante para exigir resposta formal.
A primeira possibilidade é que o laboratório tenha localizado, ou saiba onde procurar, algum rastro documental do registro. Isso pode ser o próprio rolo, uma cópia, uma ficha de inventário, uma transcrição, uma descrição de acervo, metadados ou documentação administrativa relacionada.
A segunda possibilidade é que o material exista, mas esteja preso a algum controle de classificação, contrato antigo, guia de segurança ou autoridade federal responsável. Nesse caso, a resposta do MIT pode empurrar o assunto para outra etapa: descobrir quem controla o sigilo e qual órgão teria poder para autorizar revisão, transferência ou desclassificação.
A terceira possibilidade é que o registro físico não seja encontrado, mas ainda existam documentos que provem que ele existiu. Mesmo isso teria peso, porque ajudaria a mapear a trajetória de um material histórico sobre discos voadores ligado a uma instituição técnica com vínculo com projetos do governo americano.
A quarta possibilidade é que o MIT responda que não encontrou o item nem documentação suficiente. Mesmo nesse cenário, a carta força uma resposta oficial sobre um registro que antes aparecia apenas como referência arquivística.
Por que isso importa agora
A movimentação de Burlison mostra uma mudança de estratégia na pressão por arquivos UAP.
Em vez de mirar apenas o Pentágono, a AARO, a CIA ou outras agências de inteligência, o deputado está cobrando diretamente instituições técnicas que podem ter guardado materiais produzidos para o governo ou financiados por ele.
Isso abre uma frente mais ampla. Universidades, laboratórios, centros de pesquisa, contratadas militares e arquivos técnicos podem ter preservado documentos históricos que nunca passaram pelas liberações públicas mais conhecidas.
Se a estratégia funcionar, outros pedidos semelhantes podem ser enviados a instituições que participaram de projetos de defesa, radar, vigilância aérea, pesquisa aeroespacial ou estudos ligados a objetos não identificados.
O caso também recoloca 1952 no centro da discussão. Aquele ano foi um dos períodos mais importantes da história inicial dos discos voadores nos Estados Unidos, com forte atenção pública, militar e governamental ao tema.
Um briefing daquele período, com Ruppelt listado como apresentador e associado ao Beacon Hill Study, poderia mostrar como o assunto era tratado nos bastidores técnicos do governo americano antes de décadas de ridicularização pública e sigilo institucional.
Por enquanto, o fato concreto é que Burlison enviou a carta, o MIT Lincoln Laboratory respondeu por meio de seus advogados e, segundo o deputado, o laboratório deve cumprir o pedido em até 30 dias.
A frase final da publicação resume a pressão que deve continuar:
“Cartas do Congresso têm peso. Vamos continuar enviando.”
Fontes
- Eric Burlison no X: https://x.com/EricBurlison/status/2055278528157908993
- Gabinete de Eric Burlison: https://burlison.house.gov/media/press-releases/burlison-requests-review-identified-1952-uap-recording
- Carta de Eric Burlison ao MIT Lincoln Laboratory: https://burlison.house.gov/sites/evo-subsites/burlison.house.gov/files/evo-media-document/mit-lincoln-lab_uap-tape-letter.pdf
- National Archives, registros sobre UFOs e UAPs: https://www.archives.gov/research/topics/uaps
- National Archives, Record Group 615: https://www.archives.gov/research/topics/uaps/rg-615
