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Leitura: 5 min Atualizado: 10/06/2026 21:11

Estudo de Ivo Busko usa “assinatura óptica” para reforçar transientes de Beatriz Villarroel e atingir tese de defeito nas placas

A saga dos transientes pré-Sputnik ganhou uma peça pesada: um novo estudo publicado no arXiv por Ivo Busko, pesquisador independente e desenvolvedor aposentado da NASA, afirma ter encontrado evidência de que os flashes registrados em placas astronômicas antigas não eram simples defeitos fotográficos, marcas químicas ou raios cósmicos atingindo a emulsão. O ponto central é […]

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A saga dos transientes pré-Sputnik ganhou uma peça pesada: um novo estudo publicado no arXiv por Ivo Busko, pesquisador independente e desenvolvedor aposentado da NASA, afirma ter encontrado evidência de que os flashes registrados em placas astronômicas antigas não eram simples defeitos fotográficos, marcas químicas ou raios cósmicos atingindo a emulsão.

O ponto central é técnico, mas decisivo. Busko analisou placas históricas do arquivo APPLAUSE, feitas com o telescópio Hamburger Sternwarte Doppel-Reflektor, de 0,6 metro, na Alemanha. Esse telescópio produzia imagens com uma distorção óptica conhecida como coma, aquela deformação em que estrelas fora do centro do campo aparecem levemente alongadas, quase como pequenos cometas.

É justamente aí que o estudo pesa.

Se um ponto luminoso aparece na placa porque a luz veio do céu, atravessou o telescópio e atingiu a emulsão fotográfica, ele deve carregar a mesma distorção óptica das estrelas próximas. Se for apenas defeito da placa, dano químico, sujeira, risco, falha de revelação ou impacto direto de radiação na emulsão, essa assinatura óptica não deveria aparecer naturalmente.

Segundo Busko, os transientes analisados exibem o padrão de coma esperado para fontes pontuais fora do eixo óptico. Em outras palavras: os pontos se comportam como luz real que passou pelo telescópio.

O próprio resumo do artigo é direto ao dizer que as imagens dos transientes apresentam “o padrão de aberração de coma esperado de fontes pontuais fora do eixo registradas através da óptica do telescópio”, uma assinatura que artefatos de placa “não conseguem reproduzir naturalmente”.

Isso não resolve a origem final dos flashes. Mas muda o peso do debate. A crítica mais usada contra os estudos ligados ao projeto VASCO, liderado por Beatriz Villarroel, era a hipótese de que os transientes poderiam ser apenas erros das placas antigas. O novo trabalho não prova o que eram os objetos, mas enfraquece justamente a explicação mais conveniente: a de que nada real teria passado pelo telescópio.

Busko trabalhou com placas anteriores ao Sputnik, evitando o problema da contaminação por satélites e lixo espacial moderno. O conjunto usado no estudo cobre registros entre 1934 e 1957, com centenas de placas e pares de placas. O corte em outubro de 1957 é importante porque marca o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial.

Na prática, o pesquisador comparou pares de placas da mesma região do céu, tiradas em sequência, e procurou pontos luminosos que apareciam em uma imagem e desapareciam na seguinte. Depois, avaliou se esses pontos tinham a mesma deformação óptica das estrelas ao redor. Também cruzou os candidatos com catálogos astronômicos e imagens posteriores, incluindo dados do USNO, Gaia e POSS-II.

O resultado apresentado no artigo lista 11 transientes. Todos aparecem concentrados em apenas duas pequenas regiões do céu e dentro de uma janela entre 1949 e 1953. O estudo destaca ainda casos agrupados em sequência, incluindo eventos de dezembro de 1950, fevereiro de 1951, três flashes muito brilhantes em 4 de março de 1951 e um grupo triplo registrado em 19 de abril de 1953.

Um detalhe chama atenção: no caso mais brilhante de março de 1951, Busko aponta sinais de saturação e halation, efeito causado por espalhamento de luz na emulsão fotográfica. Para o autor, isso reforça que houve luz atuando fisicamente sobre a placa, e não apenas uma marca posterior ou defeito isolado.

A conexão com a linha de pesquisa de Villarroel é direta. O NUFO já acompanhou a sequência de estudos envolvendo transientes em placas fotográficas antigas, possíveis correlações com testes nucleares, déficit de eventos na sombra da Terra e hipóteses envolvendo objetos refletivos antes da era espacial humana.

A diferença agora é o método. Em vez de apenas discutir estatística, Busko usa a própria imperfeição óptica do telescópio como ferramenta de verificação. A distorção, que normalmente atrapalharia uma análise astronômica, vira uma espécie de “carimbo” do caminho da luz.

Beatriz Villarroel reagiu ao estudo no X chamando o resultado de “enorme notícia”. Segundo ela, Busko teria colocado “o último prego no caixão” das hipóteses baseadas em contaminação, como defeitos de placa e raios cósmicos, ao mostrar que os transientes passam pela mesma óptica que as estrelas.

A pesquisadora também destacou que os eventos aparecem agrupados no espaço e associados a períodos próximos de testes nucleares, embora o próprio artigo mantenha cautela: a amostra ainda não permite concluir se essa associação é real ou coincidência estatística.

O estudo afirma que há possíveis associações com testes nucleares atmosféricos, incluindo eventos próximos à Operação Ranger, em 1951, e à Operação Upshot-Knothole, em 1953. Ao mesmo tempo, o artigo registra que também houve transientes em anos sem testes nucleares globais, como 1950, o que impede uma conclusão simples.

O ponto mais forte, portanto, não é dizer “o que eram” os flashes. É dizer o que eles provavelmente não eram.

Pelo novo estudo, ao menos os transientes analisados não se comportam como simples sujeira, dano químico ou artefato comum de placa. Eles carregam uma assinatura óptica compatível com luz real atravessando o telescópio.

Para a linha de pesquisa de Villarroel, isso dá mais peso ao núcleo da controvérsia: se havia flashes breves, agrupados e registrados antes do Sputnik, a pergunta deixa de ser apenas “as placas estavam com defeito?” e volta para o ponto mais incômodo: que tipo de objeto produziu essa luz?

Fontes

  • arXiv: https://arxiv.org/abs/2606.08319
  • PDF do estudo de Ivo Busko: https://arxiv.org/pdf/2606.08319
  • Beatriz Villarroel no X: https://x.com/DrBeaVillarroel/status/2064285561653727309
  • APPLAUSE Archive: https://www.plate-archive.org/cms/home/
  • NUFO: https://noticiasufologicas.com.br/dra-beatriz-villarroel-publica-estudos-revisados-por-pares-que-sugerem-objetos-em-orbita-antes-do-sputnik/
  • NUFO: https://noticiasufologicas.com.br/beatriz-villarroel-anunciou-que-dois-analistas-independentes-replicaram-sinais-ligados-a-testes-nucleares-e-a-sombra-da-terra-em-seus-dados/

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