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Leitura: 3 min Atualizado: 22/07/2026 09:13

Estudo sugere que buscas por megaestruturas alienígenas podem estar mirando as estrelas erradas

Um novo estudo publicado no repositório arXiv propõe que astrônomos em busca de megaestruturas alienígenas, como as famosas esferas de Dyson, talvez estejam concentrando esforços nos alvos errados. Em vez de focar em estrelas parecidas com o Sol, o trabalho indica que as melhores candidatas podem ser justamente as menores e mais apagadas da galáxia: […]

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Estudo sugere que buscas por megaestruturas alienígenas podem estar mirando as estrelas erradas

Um novo estudo publicado no repositório arXiv propõe que astrônomos em busca de megaestruturas alienígenas, como as famosas esferas de Dyson, talvez estejam concentrando esforços nos alvos errados. Em vez de focar em estrelas parecidas com o Sol, o trabalho indica que as melhores candidatas podem ser justamente as menores e mais apagadas da galáxia: as anãs vermelhas e as anãs brancas.

A ideia de uma esfera de Dyson foi apresentada pelo físico Freeman Dyson em 1960, descrevendo uma estrutura, ou, mais realisticamente, um enxame de coletores, capaz de capturar a maior parte da energia de uma estrela. Desde então, o conceito fascina quem procura sinais de tecnologia avançada fora da Terra, mas sempre restou a dúvida de como identificar algo assim nas observações astronômicas.

O físico Amirnezam Amiri, da Universidade do Arkansas, modelou como essas hipotéticas megaestruturas se comportariam ao redor de anãs vermelhas e anãs brancas, tipos de estrelas geralmente ignorados nessas buscas. Amiri contou com discussões com Avi Loeb, astrônomo de Harvard e fundador do Projeto Galileo, para desenvolver o estudo. As anãs vermelhas representam cerca de 70% das estrelas da Via Láctea e podem permanecer estáveis por trilhões de anos, enquanto as anãs brancas, remanescentes densos de estrelas como o Sol, permitem que um enxame de Dyson orbite muito mais próximo, exigindo menos material.

O estudo detalha que tanto anãs vermelhas quanto anãs brancas são tênues o suficiente para que o calor infravermelho emitido por uma possível megaestrutura se destaque mais facilmente em relação à luz da própria estrela. No diagrama de Hertzsprung-Russell, usado para classificar estrelas por temperatura e brilho, uma estrela envolta por um enxame de Dyson apareceria com a mesma luminosidade, mas deslocada para a extremidade fria do gráfico, uma região onde não há estrelas naturais conhecidas.

Para diferenciar uma megaestrutura de fenômenos naturais, o modelo de Amiri aponta que um verdadeiro enxame de Dyson não apresentaria as características típicas de poeira de silicato vistas em discos de poeira, resultando em um espectro incomumente suave para um objeto com forte emissão infravermelha. Além disso, se a estrutura for composta por coletores separados, haveria lacunas que causariam variações irregulares e não estelares no brilho, algo difícil de explicar por causas naturais quando combinado com outros sinais.

A busca por esses sinais já pode ser feita com telescópios atuais. O Telescópio Espacial James Webb, com seus instrumentos infravermelhos, está preparado para detectar emissões frias e tênues desse tipo. O Observatório Vera C. Rubin e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, previsto para ser lançado ainda este ano, vão ampliar a capacidade de identificar possíveis candidatos.

Em 2024, o Projeto Hephaistos já havia identificado sete possíveis candidatos a esferas de Dyson entre cerca de cinco milhões de estrelas catalogadas, todos ligados a anãs vermelhas. Um deles foi descartado após se descobrir que o sinal vinha de um buraco negro ao fundo, mas outros sistemas seguem sob investigação. O próprio Amiri ressalta que não afirma que algum desses seja de fato uma megaestrutura, mas defende que o novo modelo ajuda a distinguir anomalias reais de discos de poeira antes de investir tempo valioso de observação.

O estudo reforça que, se um enxame de Dyson realmente existir ao redor de uma estrela e reemitir sua energia em temperaturas diferentes das naturais, as próximas campanhas de observação infravermelha podem finalmente ser capazes de detectar algo inédito.

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