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Leitura: 6 min Atualizado: 05/06/2026 23:29

Borland e Brown anunciam Vanguard para denunciantes UAP, enquanto Corbell acusa ODNI e AARO de tentar destruir testemunhas

O novo episódio do Weaponized, publicado em 4 de junho, não trouxe uma nova imagem UAP nem a revelação de outro programa secreto. A notícia está em outro ponto: Dylan Borland e Matthew Brown disseram que estão criando a Vanguard, uma organização voltada a apoiar denunciantes UAP, enquanto Jeremy Corbell acusou setores do ODNI e […]

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Notícia Weaponized
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O novo episódio do Weaponized, publicado em 4 de junho, não trouxe uma nova imagem UAP nem a revelação de outro programa secreto. A notícia está em outro ponto: Dylan Borland e Matthew Brown disseram que estão criando a Vanguard, uma organização voltada a apoiar denunciantes UAP, enquanto Jeremy Corbell acusou setores do ODNI e do AARO de atuar contra testemunhas que já falaram ao Congresso.

A gravação ocorreu no Contact in the Desert, em um painel com George Knapp, Jeremy Corbell, Dylan Borland, Matthew Brown e o Senior Chief Alexandro C. Wiggins. Os três convidados já vinham sendo citados em diferentes frentes da cobertura UAP, mas o episódio juntou suas alegações em uma narrativa mais direta: quem fala estaria sendo deixado sem proteção, sem emprego e sob pressão institucional.

Brown disse que ele e Borland começaram a montar uma organização sem fins lucrativos para ajudar futuros denunciantes e suas famílias. Segundo ele, a Vanguard nasce da experiência de quem passou pelo processo sem uma estrutura real de amparo.

“Estamos criando algo feito por denunciantes para denunciantes, para ajudar essas pessoas e suas famílias médica, financeira, espiritual, emocional e legalmente, só para sobreviver ao processo”, afirmou Brown.

Ele disse que “pouquíssimas pessoas” protegem quem decide vir a público e que haveria esforços ativos para atrair novas testemunhas sem oferecer garantias reais. A ideia, segundo Brown, é criar um lugar seguro para pessoas que tenham informações sobre UAP e não queiram virar apenas instrumento político, fonte descartável ou peça de disputa entre grupos.

Borland reforçou a mesma linha. Ele afirmou que a Vanguard também pode funcionar como uma espécie de apoio preventivo e de reparação até que exista responsabilização oficial por eventuais abusos contra denunciantes. A organização ainda não foi formalmente apresentada ao público com site ou estrutura operacional aberta.

A fala mais agressiva veio de Corbell. Ele afirmou que ele e George Knapp foram procurados por pessoas ligadas ao ODNI com a promessa de investigar programas UAP, inclusive os chamados “legacy programs”. Segundo Corbell e Knapp, o contato teria começado como uma tentativa de obter nomes e informações, mas depois teria se transformado em uma operação para desacreditar testemunhas.

Corbell disse que representantes dessa estrutura tentaram fazer com que ele e Knapp se voltassem contra figuras como Lue Elizondo, Jay Stratton, Eric Davis, David Grusch, Matthew Brown, Dylan Borland e Alexandro Wiggins. A acusação é grave: segundo ele, não se tratava de apurar, mas de fazer jornalistas repetirem ataques contra as próprias fontes.

O apresentador afirmou ainda que tudo foi documentado e entregue a advogados. Ele também disse ter registros relacionados a supostas tentativas de fabricar acusações contra Borland e Brown. Nenhum desses documentos foi publicado no episódio, então a afirmação permanece como alegação pública de Corbell.

Em outro trecho, Corbell elevou o tom contra a estrutura governamental. Disse que mostrar trechos de arquivos, sistemas e vídeos em Sleeping Dog não era provocação vazia, mas uma forma de pressionar o governo a liberar material que, segundo ele, já existe.

“Não era para provocar vocês. Era para provocar nosso governo a liberar o que sabemos que eles têm”, disse.

O recado mais direto veio quando ele afirmou que ele e Knapp “vão ao deserto e cavam coisas” e completou: “não estamos blefando”. No contexto do painel, a frase funcionou como aviso público a setores que, segundo ele, estariam tentando intimidar denunciantes e controlar a narrativa UAP por dentro.

Wiggins, militar da Marinha dos EUA, trouxe outro ponto novo. Ele disse que, depois de falar ao Congresso, foi procurado repetidamente pelo AARO e que sua cadeia de comando também teria sido acionada. Segundo Wiggins, quando ele recusou uma nova conversa, a resposta teria incluído a possibilidade de acionar o Secretário de Guerra Pete Hegseth para obrigá-lo a comparecer.

Wiggins afirmou que viu nisso uma tentativa de silenciar não apenas ele, mas outros militares da ativa que possam ter presenciado algo no céu ou na água. A acusação ainda não foi acompanhada de e-mails ou memorandos públicos, mas ganha peso por vir de uma testemunha que já apresentou declaração formal ao Congresso.

Em seu depoimento escrito de setembro de 2025, Wiggins relatou o caso do USS Jackson, em 15 de fevereiro de 2023, quando quatro objetos tipo “Tic Tac” teriam sido observados na costa sul da Califórnia. Segundo a declaração, um dos objetos teria emergido do oceano, se unido a outros três e todos teriam partido de forma sincronizada, sem assinatura convencional de propulsão.

Borland também trouxe uma atualização pessoal. Ele afirmou que sua autorização de segurança, que até então existia, passou a constar em uma posição “undefined”. No mesmo painel, voltou a dizer que ele e a esposa estão sem emprego, que a família foi ameaçada e que vive sob a sombra de uma possível acusação de traição.

Essa parte se conecta ao depoimento que Borland entregou ao Congresso em 2025. Na ocasião, ele já havia afirmado que sua carreira foi deliberadamente obstruída, que sofreu represálias por mais de uma década e que foi impedido de retomar funções ligadas à comunidade de inteligência depois de relatar informações sobre programas UAP.

Matthew Brown, associado às alegações sobre o programa Immaculate Constellation, descreveu o impacto pessoal da exposição. Disse que perdeu a carreira, que dificilmente voltará a trabalhar perto do governo e relatou uma invasão em sua casa, na qual documentos e cartões teriam sido espalhados, mas objetos de valor não teriam sido levados.

Brown interpretou o episódio como intimidação. Corbell também citou o caso como exemplo do tipo de pressão que, segundo ele, recai sobre quem decide falar.

O episódio vale menos por uma revelação isolada e mais pela mudança de eixo. A discussão sai da pergunta sobre “quando novas testemunhas vão aparecer” e entra em um problema mais concreto: quem assume o custo quando elas aparecem?

A criação da Vanguard, se avançar, será uma tentativa de responder a essa lacuna fora do governo. Já as acusações de Corbell contra ODNI e AARO colocam pressão sobre a estrutura oficial que, em teoria, deveria receber, investigar e proteger parte dessas informações.

Por enquanto, as acusações mais graves feitas no painel ainda dependem de documentação pública. Mas o episódio expôs uma tensão que já vinha crescendo desde as audiências no Congresso: os defensores da transparência UAP pedem novas testemunhas, enquanto algumas das testemunhas já conhecidas dizem que o preço pessoal de falar continua alto demais.

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