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Leitura: 8 min Atualizado: 08/03/2026 20:06

Congressista diz ter ouvido ameaça de morte ao investigar UAPs e detalha ofensiva por disclosure nos EUA

Eric Burlison relatou um alerta de morte ao investigar UAPs e detalhou a tentativa de transformar o disclosure em política duradoura nos EUA.

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Notícia Congresso dos EUA
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Uma entrevista longa com a jornalista Leslie Kean, o congressista Eric Burlison e o documentarista James Fox reuniu alguns dos temas mais sensíveis do debate atual sobre UAPs nos Estados Unidos: arquivos classificados, denunciantes, pressão por transparência, relatos sobre materiais e corpos não humanos e a tentativa de transformar o chamado disclosure em política pública duradoura.

O trecho que mais chamou atenção veio quando Burlison relatou ter sido alertado por uma fonte da comunidade de inteligência a retirar dois nomes de sua lista de interesse e nunca mais voltar a falar sobre essas pessoas. Segundo o deputado, a advertência foi direta: elas “não teriam problema” em mandá-lo matar. A declaração apareceu sem nomes e sem prova pública apresentada no programa, mas ajuda a mostrar o grau de tensão que cerca o tema dentro de círculos políticos e de segurança.

Ao mesmo tempo, a conversa trouxe algo talvez ainda mais importante do ponto de vista institucional: a confirmação de que há uma tentativa real de empurrar a UAP Disclosure Act para dentro do National Defense Authorization Act, o grande pacote anual de defesa dos EUA. Se isso avançar, o Congresso poderia ganhar instrumentos mais robustos para exigir arquivos, proteger denunciantes e organizar uma revisão oficial de registros ligados ao tema.

O ponto central da entrevista foi disclosure, não apenas relato

Embora a conversa tenha passado por casos famosos, testemunhos e rumores já conhecidos no circuito UAP, o eixo mais forte foi político. Burlison afirmou que sua equipe trabalha para colocar a UAP Disclosure Act dentro de um projeto que o Congresso necessariamente precisa votar, porque leis isoladas têm muito menos chance de sobreviver.

Segundo ele, a proposta é inspirada no modelo usado para a liberação de documentos ligados ao assassinato de John F. Kennedy. A ideia incluiria a criação de um conselho de revisão, mecanismos de imunidade para whistleblowers, ou denunciantes, e a obrigação de entregar arquivos ao governo.

“Estou tentando colocar a UAP Disclosure Act dentro do National Defense Authorization Act”, disse Burlison.

Esse ponto é central porque desloca a discussão do campo da curiosidade para o campo do processo institucional. O que aparece ali não é apenas mais uma rodada de relatos impressionantes, mas uma tentativa concreta de transformar o debate sobre UAPs em matéria de lei, supervisão e acesso a documentos.

Trump, prioridades e a corrida por arquivos

Burlison também afirmou que as declarações recentes de Donald Trump teriam mudado o peso do tema dentro do governo. Segundo ele, antes disso os UAPs estavam perto do fim da fila de prioridades; depois, teriam saltado para o grupo das primeiras posições.

Essa fala deve ser lida com cautela. Trata-se de uma descrição política feita pelo próprio congressista, e não de um anúncio oficial documentado da Casa Branca. Ainda assim, ela ajuda a explicar por que ele demonstrou otimismo ao falar de novos briefings, equipes mais dedicadas e maior abertura para visitas a instalações e pedidos formais de informação.

Um dos pontos mais concretos foi o relato de que o Congresso enviou cartas para Marco Rubio, Pete Hegseth, Tulsi Gabbard e Chris Wright pedindo arquivos específicos, com nomes, datas e metadados. A lógica é simples: quando o Legislativo sabe exatamente o que pedir, reduz o espaço para agências responderem que o material “não existe”.

As visitas a instalações suspeitas e a busca pelos “recibos”

Burlison disse que já visitou ao menos uma instalação militar ligada, segundo narrativas que circulam no tema, a programas de engenharia reversa. Engenharia reversa, aqui, significa a tentativa de estudar e reproduzir o funcionamento de uma tecnologia supostamente recuperada.

Ele foi cuidadoso ao descrever o que viu. Segundo o deputado, o local não tinha material ativo, mas a visita serviu para verificar se a infraestrutura existia e se fazia sentido como espaço capaz de ter sido usado para esse tipo de programa no passado.

Mais importante do que a visita em si foi a forma como ele descreveu sua posição atual. Burlison insistiu várias vezes que já viu dados, fotos, vídeos e ouviu testemunhos suficientes para concluir que há algo real acontecendo, mas não o bastante para afirmar publicamente que a origem seja extraterrestre.

“Vi o suficiente para dizer que há absolutamente algo acontecendo”, resumiu o congressista, antes de reforçar que ainda procura os “receipts”, isto é, as provas documentais e físicas.

Essa talvez tenha sido a formulação mais honesta da entrevista. O programa reuniu muitas alegações fortes, mas o próprio Burlison repetiu que o próximo passo precisa ser menos testemunhal e mais probatório.

Os dados classificados que ele diz ter visto

Ao responder perguntas sobre material classificado, Burlison disse ter visto objetos esféricos, aproximadamente do tamanho de uma bola de praia, voando em velocidades superiores a Mach 3. Também descreveu movimentos em ângulo reto, aparições e desaparecimentos súbitos e luzes ou plasma em diferentes cores.

Mach 3 significa cerca de três vezes a velocidade do som. Já a referência a plasma apareceu como tentativa de descrever visualmente alguns desses objetos luminosos, não como conclusão técnica estabelecida.

Segundo o deputado, esses objetos pareciam estar sob controle inteligente. Ainda assim, ele fez questão de repetir que isso não resolve a pergunta sobre origem. Para ele, a única afirmação segura hoje é que existem objetos exibindo comportamentos que não se encaixam facilmente na tecnologia convencional conhecida.

Corpos, biologia não humana e o limite do sigilo

Outro trecho relevante da entrevista foi a separação entre duas camadas do segredo. Burlison disse que consegue imaginar restrições de segurança nacional sobre detalhes técnicos de uma tecnologia recuperada, mas não vê justificativa para esconder do mundo uma eventual evidência biológica de vida não humana.

James Fox puxou essa distinção de forma explícita ao falar de “biologics”, ou material biológico não humano, expressão popularizada por David Grusch. Burlison respondeu que concorda integralmente: se existirem corpos ou prova de vida não humana, isso deveria ser revelado.

Na mesma conversa, o deputado disse que Grusch teria visto fotos e vídeos de corpos não humanos, mas não afirmou que ele tenha visto isso pessoalmente em um local físico. A fala é importante, mas segue no campo da alegação indireta, sem documento ou imagem pública apresentada na entrevista.

Varginha apareceu, mas não foi o núcleo mais forte da conversa

O caso Varginha apareceu em um momento importante da entrevista, quando Leslie Kean lembrou a reunião privada ocorrida em 15 de janeiro no Capitólio com testemunhas brasileiras levadas a Washington por James Fox. Segundo os participantes, um médico afirmou ter estado diante de um ser não humano vivo.

Burlison disse que os depoimentos pareceram genuínos e consistentes quando questionados. Isso é relevante, principalmente porque mostra o caso saindo do circuito exclusivamente documental e entrando em conversas reservadas com parlamentares dos EUA.

Mas, dentro da entrevista como um todo, Varginha funcionou mais como exemplo de um caso que ajuda a orientar pedidos de arquivos, cruzamento de registros e eventuais apurações futuras do que como o centro da discussão. O foco maior esteve na tentativa de institucionalizar o disclosure e encontrar documentação verificável.

Rumores mais extremos e o que segue sem prova pública

A entrevista também passou por alegações mais difíceis de sustentar publicamente. Entre elas:

  • o relato de um objeto gigantesco se movendo no fundo do oceano;
  • rumores sobre programas que usariam consciência humana para interagir com UAPs;
  • a possibilidade de empresas privadas terem mantido materiais ou registros fora do alcance normal de fiscalização;
  • a menção a encontros com fontes que recusam qualquer exposição pública e só aceitam conversar em ambientes altamente controlados.

Nenhum desses pontos veio acompanhado, na entrevista, de prova material aberta ao público. Por isso, eles devem ser lidos como alegações relevantes para entender o clima do debate atual, mas não como confirmação final.

O que realmente saiu dessa entrevista

Se a conversa for lida com frieza, ela confirma três movimentos importantes.

O primeiro é que há um esforço legislativo real, embora ainda incerto, para dar forma jurídica ao disclosure nos Estados Unidos. O segundo é que parlamentares ligados ao tema continuam recebendo testemunhos, visitando instalações e tentando mapear arquivos específicos. O terceiro é que, apesar do volume de alegações, ainda falta a peça que mudaria tudo: prova pública, verificável e robusta.

Esse ponto apareceu com clareza no fechamento da conversa, quando Leslie Kean resumiu a fase atual como a busca pelos “receipts” — os recibos, os registros, os documentos e evidências que sustentem publicamente aquilo que hoje ainda circula entre briefings, relatos e bastidores.

Enquanto isso não surge, a entrevista serve menos como revelação definitiva e mais como termômetro de um momento em que o debate sobre UAPs está cada vez mais próximo do centro político de Washington, mas ainda distante de uma comprovação pública final.

Fontes e Créditos

YouTube – entrevista/AMA em vídeo – fonte principal das falas de Leslie Kean, Eric Burlison e James Fox – https://www.youtube.com/watch?v=hCjPW6xH3JI&t=35s

Adaptação editorial em PT-BR a partir do vídeo e da transcrição da conversa.

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