Governo dos EUA divulga avaliação interna sobre UAPs, mas mantém censurados métodos, benefícios e critérios do relatório
O governo dos Estados Unidos liberou um novo documento sobre como os militares avaliaram casos de UAPs, termo usado oficialmente para fenômenos anômalos não identificados. Mas a parte mais importante continua escondida. O documento foi obtido pelo The Black Vault por meio da Lei de Acesso à Informação dos EUA. Ele mostra uma proposta do […]
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O governo dos Estados Unidos liberou um novo documento sobre como os militares avaliaram casos de UAPs, termo usado oficialmente para fenômenos anômalos não identificados.
Mas a parte mais importante continua escondida.
O documento foi obtido pelo The Black Vault por meio da Lei de Acesso à Informação dos EUA. Ele mostra uma proposta do Inspetor-Geral para investigar como o Departamento de Defesa tratava os casos de UAPs dentro das Forças Armadas e de agências de inteligência.
Na prática, o governo queria avaliar como esses casos eram detectados, coletados, analisados e tratados internamente.
Só que os trechos que explicariam os motivos reais da avaliação, os benefícios esperados e os critérios usados foram censurados.
A justificativa foi segurança nacional.
Segundo a resposta oficial, as partes ocultadas envolvem temas como planos militares, sistemas de armas, operações, vulnerabilidades e capacidades ligadas à defesa dos Estados Unidos.
Isso é importante porque o governo americano vem dizendo publicamente que está aumentando a transparência sobre UAPs. Ao mesmo tempo, documentos como este mostram que o funcionamento interno do sistema continua em grande parte fora do alcance do público.
Ou seja: vídeos e alguns arquivos podem ser liberados, mas os detalhes sobre como o governo investiga, classifica e interpreta esses fenômenos seguem protegidos por sigilo.
O documento também tem trechos marcados como secretos e não liberáveis a estrangeiros. Isso indica que parte da avaliação foi considerada sensível até mesmo para compartilhamento fora de certos círculos de inteligência.
Entre os pontos visíveis, aparece uma referência a Luis “Lue” Elizondo, ex-funcionário do Pentágono ligado à pauta UAP. O documento menciona sua saída em 2017 e reproduz uma frase atribuída à carta de renúncia dele, na qual Elizondo afirma que havia resistência dentro do Departamento a novas pesquisas sobre algo que poderia representar ameaça a pilotos, marinheiros, soldados e até à segurança nacional.
A liberação também mostra que a avaliação envolvia órgãos importantes, como o Gabinete do Secretário de Defesa, o Comando de Operações Especiais dos EUA, o Comando Central, DIA, NSA, NGA, NRO, DARPA e divisões investigativas militares.
Mesmo assim, as perguntas específicas que o Inspetor-Geral queria responder foram apagadas.
Também foram censuradas partes da metodologia, ou seja, os passos usados para conduzir a avaliação.
O caso mostra uma contradição clara: o governo divulga arquivos sobre UAPs como sinal de abertura, mas mantém escondidos os pontos que poderiam explicar como o tema é tratado por dentro.
A questão, portanto, não é apenas se novos vídeos serão publicados. O ponto principal é saber o que o governo já avaliou, quais riscos considera possíveis, quais agências estão envolvidas e por que tantos detalhes continuam classificados.
Segundo o The Black Vault, o processo ainda está aberto e cerca de 245 páginas podem ser analisadas e liberadas futuramente.
Fontes
- The Black Vault: https://www.theblackvault.com/documentarchive/department-of-war-cites-national-security-to-hide-core-uap-evaluation-details/
- Documento DODOIG-2021-000806, liberação parcial 4: https://documents2.theblackvault.com/documents/osd/DoW-OIG-2021-000806.pdf
