Grusch cita documento australiano ao Capitólio que acusa EUA de usar ridicularização pública como fachada sobre UFOs
David Grusch citou, no evento no Capitólio, um documento do National Archives of Australia que volta a colocar o Project Blue Book, a CIA e a política pública dos Estados Unidos sobre UFOs no centro da discussão. O arquivo, identificado como A13693, 3092/2/000, reúne uma análise australiana sobre a postura oficial dos EUA e da […]
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David Grusch citou, no evento no Capitólio, um documento do National Archives of Australia que volta a colocar o Project Blue Book, a CIA e a política pública dos Estados Unidos sobre UFOs no centro da discussão.
O arquivo, identificado como A13693, 3092/2/000, reúne uma análise australiana sobre a postura oficial dos EUA e da RAAF diante dos relatos de objetos voadores não identificados. O trecho que circulou após a fala de Grusch foi publicado no Reddit com as páginas 7 a 16 do documento.
A parte mais direta está no resumo do arquivo. O texto afirma:
“A análise inicial dos relatos de UFO pela inteligência da USAF indicou que fenômenos reais estavam sendo relatados, com características de voo tão avançadas em relação às aeronaves dos EUA que apenas uma origem extraterrestre poderia ser considerada.”
Na sequência, o documento atribui à CIA um papel central na coleta de dados técnicos:
“Uma agência do governo, que eventos posteriores indicaram ser o Office of Scientific Intelligence da CIA, estudou os relatos de UFO com a intenção de determinar os métodos de propulsão dos UFOs.”
É por isso que o documento ganhou força na fala de Grusch. Ele não trata apenas de avistamentos. Ele descreve uma política dupla: uma explicação pública para reduzir o interesse da população e uma linha reservada voltada a entender desempenho, propulsão e tecnologia.
O trecho mais explosivo afirma:
“Ao erguer uma fachada de ridículo, os EUA esperavam acalmar o alarme público, reduzir a possibilidade de os soviéticos tirarem vantagem dos avistamentos em massa de UFOs para fins psicológicos ou de guerra real, e atuar como cobertura para o verdadeiro programa dos EUA de desenvolver veículos que imitassem desempenhos de UFOs.”
O documento também diz que a CIA teria pressionado a Força Aérea a usar o Project Blue Book como instrumento de desacreditação pública:
“O OSI, atuando por meio da reunião do painel Robertson em meados de janeiro de 1953, persuadiu a USAF a usar o Project Blue Book como meio de ‘desmentir’ publicamente os UFOs.”
Outro ponto citado no arquivo envolve o relatório especial do Project Blue Book. A análise australiana afirma que a parte técnica do relatório teria apontado para casos realmente desconhecidos, mas que o público recebeu uma versão limitada:
“O corpo do relatório, preparado entre março de 1952 e o início de 1953, embora tendencioso em favor de uma explicação natural para os UFOs, mesmo assim mostrou matematicamente que a evidência favorecia uma explicação cientificamente desconhecida.”
Segundo o documento, essa parte não teria sido divulgada amplamente:
“Esta seção do relatório de 316 páginas não foi liberada ao público, exceto como uma cópia para consulta, presumindo que o leitor soubesse de sua existência.”
O arquivo também questiona a ideia de que relatos melhores simplesmente eliminariam os casos inexplicados. A tabela apresentada no documento indica que os relatos classificados como “excelentes” tinham percentual maior de desconhecidos do que relatos ruins.
A avaliação australiana resume assim:
“A tabela acima contradiz essa declaração. Relatos de excelente confiabilidade geralmente vêm de astrônomos, pilotos, cientistas, agrimensores, meteorologistas, operadores de radar etc., completos com valores instrumentados e relatos detalhados com precisão.”
Na parte sobre a Austrália, a crítica à RAAF também é dura. O documento afirma que a força aérea australiana tratava o tema quase apenas como defesa aérea e sem estrutura científica adequada:
“A RAAF admite que seus interesses estão apenas na área da defesa aérea e que lhe falta tanto interesse quanto competência para considerar os aspectos científicos.”
O texto ainda cita erros de identificação:
“Uma lista de identificação de todos os avistamentos feitos entre 1960 e 1965 contém 15 identificações de Vênus, nenhuma das quais é válida.”
A conclusão australiana é que o país não deveria apenas copiar a postura pública dos EUA. O documento defende uma investigação própria:
“Seria preferível agir independentemente dos EUA e iniciar um programa cientificamente sólido e intelectualmente honesto para desvendar o mistério UFO.”
A relevância agora é política. Ao citar esse material no Capitólio, Grusch reforçou a tese de que o problema UAP não está só nos objetos, mas no histórico de gestão pública do tema: ridicularização, controle de narrativa, documentos incompletos e possível separação entre o que era dito ao público e o que era investigado internamente.
O documento não é novo, nem prova sozinho as alegações atuais de Grusch sobre recuperação de materiais e programas secretos. Mas ele mostra que, há décadas, uma análise oficial australiana já registrava a suspeita de que os Estados Unidos tratavam UFOs publicamente como ridículo enquanto mantinham interesse técnico e de inteligência sobre o fenômeno.
Fontes
- National Archives of Australia: https://recordsearch.naa.gov.au/SearchNRetrieve/Interface/ViewImage.aspx?B=30030606&S=7&R=0
- Reddit r/UFOs: https://www.reddit.com/r/UFOs/comments/1u1c3vo/page_7_to_16_of_the_declassified_document_that/#lightbox
- The Black Vault: https://documents.theblackvault.com/documents/ufos/australia/A13693_3092-2-000_30030606.pdf
- NUFO: https://noticiasufologicas.com.br/grusch-volta-ao-capitolio-em-9-de-junho-para-pressionar-trump-e-congresso-por-arquivos-uap/
- NUFO: https://noticiasufologicas.com.br/ross-coulthart-reforca-cobranca-por-lei-que-proteja-denunciantes-uap-antes-de-ato-no-capitolio/
